HISTÓRIA SHOTOKAN

No Japão, mestre Funakoshi fez algumas modificações no Karatê que havia aprendido em Okinawa, incorporando-lhe elementos de outras artes marciais japonesas e introduzindo uma filosofia que busca a perfeição ética e moral a ser seguida pelo homem, acima das técnicas combativas. A partir daí, mestre Funakoshi começa a compilar um novo sentido ao Karatê-Jutsu para se transformar em Karatê-Dô.

              O Karatê com esta nova filosofia começa a ganhar espaço nas universidades japonesas. A “arte das mãos vazias” começa a perder a aura mística e excêntrica e entrar na era moderna : científica e esportiva.

              Em 1936, mestre Funakoshi mudou os caracteres kanji utilizados para escrever a palavra Karatê. O caracter “kara” significava “China”, e o caracter “te” significava “mão”. Para popularizar mais a arte no Japão, ele mudou o caracter “kara” por outro, que significa “vazio”. Assim, de “Mãos Chinesas” o Karatê passou a significar “Mãos Vazias”, e como os dois caracteres são lidos exatamente do mesmo jeito, então a pronúncia da palavra continuou a mesma. Além disso, mestre Funakoshi defendia que o termo “mãos vazias” seria o mais apropriado, pois representa não só o fato de o Karatê ser um método de defesa sem armas, mas também representa o espírito do Karatê, que é esvaziar o corpo de todos os desejos e vaidades terrenos.

                O nome SHOTOKAN dado ao estilo de Karatê que mestre Funakoshi ensinava fora dado pelos seus alunos. “SHOTO” era o pseudônimo que mestre Funakoshi usava para assinar seus poemas, pois ele era um homem erudito e muito culto; “SHO” significa pinheiro e “TO” ondas ou o som que as árvores fazem quando o vento bate nelas. Quando mestre Funakoshi recolhia-se para escrever seus poemas e pensamentos ele costumava buscar inspiração ouvindo o barulho dos pinheiros ondulando ao vento.

                 Por volta de 1936, o movimento do Karatê Shotokan estava ganhando força, com mestre Funakoshi tendo estabelecido mais de 30 Dojos em campus universitários e em estabelecimentos comerciais e neles ensinando.

                 O primeiro Dojo independente de Karatê, o SHOTOKAN, foi aberto pelos alunos de mestre Funakoshi. Tal crescimento do Karatê foi interrompido pela II Guerra Mundial e muitos alunos foram mortos nesse conflito. O SHOTOKAN foi destruído num ataque aéreo, em 1945.

                 Quase imediatamente após o término da guerra, os antigos alunos de mestre Funakosshi se reuniram para restabelecer os treinamentos e reestruturarem o Dojo Shotokan. O objetivo desta reunião era também a construção de uma grande e forte organização. Em 1949, o NIHON KARATÊ KIOKAI ( a Associação Japonesa de Karatê, comumente chamada JKA ) era oficialmente organizada, com mestre Funakoshi nomeado instrutor emérito principal. Professor Masatoshi Nakayama, reconhecido pala excelente capacidade administrativa, recebe o encargo da elaboração de programas técnicos e da organização que estava nascendo.

             Em 1955 a JKA é oficialmente incorporado como corpo educacional do Ministério da Educação.

             Nestes tempos pós-guerra o Karatê é apresentado ao Ocidente, mais precisamente aos militares norte-americanos que compunham a força de ocupação no Japão.

             O contato com os americanos causou um grande impacto nos instrutores japoneses, pois os americanos queriam saber por que as coisas eram feitas do jeito que eram feitas. Os professores Nakayama e Nishiyama foram obrigados a estudar e pesquisar bases científicas do Karatê técnico, anatomia, cinestesia, psicologia, física e fisiologia aplicada. Essas pesquisas e seu desenvolvimento em bases científicas e racionais alteraram fundamentalmente tanto o ensino quanto os métodos de treinamento.

              É em conseqüência destes estudos e pesquisa que o Karatê Shotokan ministrado pela JKA irá conhecer uma nova e profícua fase em sua história. É nesta época que os professores Nakayama e Nishiyama irão estabelecer um novo conceito didático ao Karatê, como nós o conhecemos hoje.

              No intento de tornar o Karatê internacional em natureza e popularidade, a JKA criou e pôs em prática regras que permitiram competições esportivas. O primeiro campeonato ocorreu em julho de 1957, dois meses depois da morte de mestre Funakoshi

              Além de desenvolver o aspecto esportivo do Karatê, a JKA também instituiu um programa de treinamento visando o desenvolvimento de instrutores a serem enviados além mar para expandir a arte do Karatê.

              Para ser admitido, o interessado tinha que Ter diploma universitário e ser faixa preta 2º grau. Além do treinamento em Karatê, os futuros instrutores estudavam anatomia, psicologia, física, história e filosofia de educação e esporte, além de administração de empresas. Para completar este programa era-lhe exigido passar no exame de 3º grau e servir como instrutor interno durante um ano.

              Tal programa único, produziu alguns dos mais capazes karatekas do mundo e sua missão na vida foi a de expandir a arte do Karatê Shotokan em outros países.

              O sonho de mestre Funakoshi de divulgar a arte do Karatê estava se concretizando nas mãos do professor Nakayama à frete da JKA, um trabalho que ele realizou incançavelmente até  sua morte em 1987.

              Após a morte do professor Nakayama, a JKA  passou a ser presidida pelo professor Nakahara e tendo como Diretor Técnico o professor Sugyura. Afinados com a política de pesquisa e expansão do professor Nakayama, esta nova direção irá dar continuidade aos trabalhos que já vinham sendo realizados, prosseguindo até os nossos dias.

              A JKA além de ser o órgão máximo que rege o Karatê Shotokan, é também um grande centro de pesquisa científica, tal preceito nós encontramos nas palavras do professor MASSAHIKO TANAKA, 8º Grau e tri-campeão mundial: “Somos um laboratório de eterna pesquisa e evolução do Karatê, para que ele não pare no tempo e no espaço. Por isso ele é considerado forte, eficiente e elegante”.